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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Para Иван

Ya teb'a l'ublu'u

Coração descalço,
Calejado.
Cansado porém incansável.
Resistente.
Persistente.
Compreensivo.
Por vezes desatento e agressivo.
Levemente insensível.
Perfeito em sua imperfeição.
Surpreendente.
Misterioso.
Tal qual seu par,
Um diamante.
Sendo lapidados lentamente,
com o decorrer do tempo.
Com arestas a serem aparadas,
Com pequenas ou grandes rachaduras.
Mas serão curadas.
Asssim espero.
Um mar agitado. Ventania.
Ondas e mais ondas rebentam na praia,
Batendo sempre e sempre na rocha,
Intermitente,
E a rocha permanece lá.
Um pouco gasta, é claro.
Imperfeita em sua perfeição.
Um passado árduo porém com momentos exultantes,
Falta de ar, taquicardia, paixão.
Um presente em mutação.
Planos? Muitos.
Um futuro ainda por vir.
Obscuro mas esperançoso.
Amor. Pode ser uma palavra somente dita.
Não necessariamente sentida.
Ela significa muito mas não abrange tudo.
Mas o que dizer de quem fica em pé,
diante da tormenta e do terremoto?
Serei redundante.
Mas será sentido e não só dito.
Eu amo você.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Mais um poema livre....

Paredes descascando,
Enegrecidas
Prédios decaídos.
As paredes ecoam meu silêncio,
Ecoam a chuva,
E dissipam a fumaça dos meus cigarros.
A música ecoa em meus ouvidos
Minha mente para,
Devaneia.
Penso no nada e penso em tudo,
Tudo é uma mentira,
Uma ilusão, utopia.
Eu também sou.
Sou insana,
Sou lúcida,
Sou normal,
Tenho muitos distúrbios.
Não tenho nada mas tenho tudo.
O mundo é ameaçador,
A natureza é acolhedora,
O silêncio é aterrador,
O silêncio é reconfortante.
A solidão é minha amiga,
A solidão me desola e me leva ao desespero.
A devassidão é minha meta.
Minha alma anseia por algo impalpável,
Inatingível.
Eu não pertenço a este mundo.
Estou bem. Estou calma.
Constatação.
Eu simplesmente não pertenço.
Os canos estão expostos.
As ruas são amedrontadoras e acolhedoras
O mundo é tenebroso e deslumbrante
Sinto um paradoxo.
Sou um paradoxo.
Como um paradoxo subsiste?
Ele por si só não se mantêm.
Tem que haver um equilibrio,
De alguma maneira.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Pensamentos...

Pensei em algumas frases mas não me lembro muito bem delas.

Foi pensando no que aconteceu no Haiti e no que estava dentro de mim.

Cadáveres
Corpos espalhados pelas ruas
Amontoados uns sobre os outros
Ou escondidos embaixo dos escombros
Mas estão todos ali
Esperando
As pessoas passam
Algumas se desesperam
Outras ficam apáticas
Em choque
Outras nem assimilam o que veem
Acostumadas com as desgraças
Sangue, partes, pedaços
O que isso há de novo?
Do pó fomos feitos e ao pó voltaremos.
Não há maneira mais
literalmente apropriada
do que morrer no e pelo pó.
Eu não consigo me comover.
Eu não consigo agir.
Eu não consigo me chocar.
Eu não consigo me emocionar.
Sou afetada mas não a ponto de agir.
Não abro mão da minha parca comodidade.
Levantai e agis?
Eu viro a página do jornal, eu clico.
Em apenas um clique a minha atenção e mente
já não estão mais ali.
Assim como todo mundo.
Eu não sei o que fazer.
Ou sei e sou acomodada demais?
A vida é estranha, complexa,
terrível,
linda e esplendorosa.
Uma chuva torrencial pode ser tão deslumbrante
quanto uma rosa.
São muitas imagens, muitas informações.
Minha mente absorve tudo mas não se atenta a nada.

Eu não sabia do que chamar isso... mas minha prima me elucidou. Poema livre. Eis um poema livre. Hehehe

O que me reserva o futuro?
Eu não sei. Absolutamente estou um pouco crédula.
A tendência é eu ir me tornando mais cínica e fria e retraída.
Eu aparento, por muitas vezes, o que não sou.
Eu me olho no espelho e nao o Eu.
Mesmo ainda não sabendo o que é esse eu.
Quem sou eu? Como eu sou?
As tatuagens, os jogos, os cigarros, as roupas pretas fazem parte de mim e de meus interesses mas acho que também são formas subjetivas de afastar as pessoas.
Não gosto delas sempre por perto. Conversas fúteis por muitas vezes me impacientam e me irritam.
No geral, quando as pessoas estão rindo, eu não estou. Não vejo graça. Não tenho senso de humor.

Acho que tudo é muito mais profundo, vivo e válido do que a vida cotidiana.
Não concordo com essa idéia de trabalhar, limpar casa, etc. Esse esquema é tão restrito.
A vida é tão mais que isso. Há tanto a se aprender. A ver.
Tantas coisas fora do meu alcance.
Minha alma anseia por alvos inatingíveis.
Ação e consequência. Causa e efeito.




terça-feira, 19 de janeiro de 2010

....

[07.01]

Nao sei se poderia chamar isso de poema, prosa, poesia, or whatever.
Mas fiz isso um dia, depois de tomar dois rivotril... praticamente capotada. Minha psicologa disse que e importante analisar pois era meu subconsciente quem estava falando, ou no caso, escrevendo..

Enfim... Nao tem titulo..

Sangue negro...sangue solitário
E assim que ele fica a noite
É assim que o vejo
Escuro
Que já viu o próprio sangue?

Sangue solitário
Com tendências à boêmia e a confusão
Leve embriaguez

Sangue dos meus pulsos
Pulsos fracos
Outrora e porventura fortes
Submetidos ao pior carrasco
Ao mais impiedoso

Sem se dar conta disso
Sangrando e chorando
Envergonhados dos dedos apontados

Punhos sem voz
Voz cristalina e lúdica
Eles não possuem.

Auto-piedosos, lamuriantes
Conhecedores da linguagem
e cantorias comuns

Auto-piedosas, flagelantes
Se comunicam assim de uma única forma
E o reflexo de outros corpos
É sufocante, ofuscante
Círculo vicioso se forma

E os pulsos vão ficando cada vez mais fracos
Ate que veem que esse é o seu mundo
Eles aceitarão essa nova realidade?

O conhecimento desse novo fato,
esse esclarecimento,
sera benéfico ou destruidor?
Ira ajudá-los ou corrompe-los?

Serão capazes de sangrar até não restar nada
além do último suspiro?

E, depois nada além do silencio e do barulho.
Não haverá mais cancões!