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quinta-feira, 11 de março de 2010

A extraordinária interconectividade das coisas e os significados profundos e misteriosos de nossas vidas

Dei um tempo no "Crime e Castigo" do Dostoiévski, o castigo estava se prolongando demais.. hauaha

E comecei a ler "Do Fundo dos Seus Olhos", do Dean Koontz. E é um livro mediano. Como os 3 ou 4 livros que li dele. Não são ruins, mas tb não são espetaculares.

O que diferencia esse dos outros é que ele fala sobre a complexidade da vida. Têm muitas passagens interessantes. Muitas palavras de sabedoria e profundidade acerca da intrínseca teia da vida. Uma das passagens que me chamou a atenção é essa abaixo.

"Da humilhação, do terror, do sofrimento e da morte de Fimie surgira Anja, a quem Celestina inicialmente tinha odiado, mas agora ela a amava ainda mais do que amava Wally, ainda mais do que amava a si mesma ou à própria vida. Fimie, atavés de Anja, concedera a Celestina e a Wally uma compreensão plena do significado das palavras do seu pai quando ele falara sobre este dia marcante, uma compreensão que concedia força à sua pintura e tocava profundamente as pessoas que viam e compravam sua arte.
Conforme o pai de Celestina ensinara, nenhum dia na vida de uma pessoa é um dia sem eventos importantes; nenhum dia é desprovido de significados profundos, não importando o quanto ele possa ter parecido bobo ou tedioso, não importando se você é uma costureira ou uma rainha, um engraxate ou uma estrela de cinema, um filósofo famoso ou uma criança com síndrome de Down. Porque em cada dia da sua vida existem oportunidades para realizar pequenas boas ações para os outros, tanto através de atos conscientes quanto por exemplo inconscientes. Cada pequeno ato de bondade - mesmo simples palavras de esperança para os necessitados, a lembrança de um aniversário, um cumprimento que gere um sorriso - reverbera através de grandes distâncias de tempo e espaço, afetando vidas desconhecidas à pessoa cujo espírito generoso foi a fonte do eco bom, porque a bondade é passada adiante e cresce a cada vez que é passada, até que uma simples cortesia se torne um atode coragem altruísta dali a muitos anos, e num lugar muito distante. Da mesma forma, cada pequeno ato de maldade, cada expressão inconsciente de ódio, cada manifestação de inveja e rancor, a despeito do quão pequena, pode inspirar outras, e é portanto a semente que gerará um fruto maligno, envenenando pessoas que você nunca conheceu e jamais conhecerá. Todos os seres humanos - os vivos, os mortos, as gerações vindouras - são entrelaçados de forma tão profunda e intricada que o destino de todos é o destino de cada um, e a esperança da humanidade repousa em cada coração e em cada par de mãos. Portanto, depois de um fracasso, somos instigados a lutar novamente pelo sucesso, e quando nos defrontamos com o fim de uma coisa, precisamos construir algo novo e melhor a partir de suas cinzas, assim como da dor e da mágoa devemos tecer esperança, porque cada um de nós é um fio vital para a malha - e a sobrevivência - da tapeçaria humana. Cada hora em cada vida contém um potencial oculto para afetar o mundo que os grandes dias pelos quais em nós, em nossa insatisfação, tanto ansiamos, na verdade já estão conosco; todos os grandes dias e possibilidades empolgantes estão sempre combinados neste dia marcante.
Ou, como o pai de Celestina dissera tantas vezes, caçoando alegremente de sua própria eloquência retórica:
- Ilumine o canto onde você está e você iluminará o mundo.
[...] No sermão que lhe valeu um momento de fama - com a qual, aliás, ele se sentiu incomodado -, papai usou a vida do apóstolo Bartolomeu para ilustrar seu ponto de vista de que cada dia em cada vida é da mais profunda importância. Bartolomeu é considerado o mais obscuro dos doze apóstolos. Alguns dizem que Simão é menos conhecido, outros apontam Tomé, o descrente. Mas Bartolomeu certamente lança uma sombra muito mais curta que as de Pedro, Mateus, Tiago, João e Filipe. O propósito do pastor White em proclamar Bartolomeu o mais obscuro dos doze foi imaginar em detalhes vívidos como as ações desse apóstolo, aparentemente de pouca consequência na época, tinham ressoado através da história, através de centenas de milhões de vidas - e em seguida conjecturar que a vida de cada empregada doméstica que estava ouvindo o seu sermão, a vida de cada mecânico de carro, professor, motorista de caminhão, garçonete e zelador, era tão importante quanto a vida ressonante de Bartolomeu, embora cada um estivesse atrás da lâmpada da fama e laborasse sem o aplauso das multidões.
No final do famoso sermão, o pai de Celestina desejou a todas as pessoas de boa índole que suas vidas fossem banhadas com uma chuva de efeitos benignos gerada pelas ações altruístas de uma míriade de Bartolomeus a quem jamais conheceriam. E assegurou aos egoístas, invejosos e inclementes, ou àqueles que de fato cometeram atos de grande malignidade, que suas ações retornariam para eles, multiplicadas por um número além de sua imaginação, porque eles estavam em guerra com o propósito da vida. Se o espírito de Bartolomeu não puder entrar em seus corações e mudá-los, então irá encontrá-los e proferir o julgamento terrível que eles merecem."


Sei que o texto é grande, mas achei que valeria a pena. Você vai gastar menos tempo pra lê-lo do que eu levei para digitá-lo.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Passagens...

Não é um retrocesso, apesar de haver fases, porém escrevi isso no final de dezembro, e acho importante pra mim, registrar aqui, mesmo que não seja mais meu estado de espírito frequente, ainda sinto às vezes. Mesmo mesclando com os registros atuais, considero relevante. Passou, mas sei que vai voltar. Uma grande roda gigante.

Como eu já disse, e também o King, Koontz, e tantos outros escritores, o ka é realmente uma roda. Não duvide disso.

[28.12.09]

Alguns amigos eu afasto, outros não, se afastam ou são afastados pela situação. Também não sou expert em cultivar. Quando tento, normalmente há resistência do outro lado. Não conheço um meio termo saudável, talvez.
As pessoas têm medo. Sei lá, como se fosse algo terrivelmente contagioso. Não as culpo. De uma forma bem subjetiva é um pouco mesmo.

Ou têm medo da responsabilidade que a dependência causa. Ou dos encargos.

Às vezes sinto uma onda de desespero subindo pela minha garganta. Para o meu bem eu preciso aprender a engolir. Sem ter indigestão. Mas isso não é possível, é?
Eu, atualmente, vejo que às vezes é possível controlar, seja quais forem os métodos que estiverem disponíveis. Mas é tremendamente difícil.
A minha maior lição vai ser aprender a esmagar o sofrimento, a dor, a angústia e o desespero - suprimi-los - sem deixar de ser o eu. Que by the way, ainda não sei o que é. Não deixa de ser um irônico e cruel paradoxo. Como separar, digamos, o joio do trigo, se você não sabe qual é qual?

Eu lhe digo, meu amigo, ledo engano. É só o que dá pra fazer... Enganar-se.

Alguém se predispõe a me ensinar? Ou melhor, alguém se predispõe e julga-se capaz de apertar o gatilho?

Já que apontar o dedo é algo tão fácil de se fazer, talvez dobrá-lo não seja tão difícil assim. Mas é.

Quero correr. Run, rabbit, run.


sábado, 9 de janeiro de 2010

Se você consegue escapar hoje. O amanhã te aguarda, inexorável e implacavelmente.


Vou começar com esse texto que escrevi um tempo atrás, num momento de fúria. Percebi que me torno tremendamente criativa com raiva. Hehehe Bom, não necessariamente criativa, mas mais comunicativa. Consigo me expressar melhor... assim como quando estou andando sozinha, ou quando estou quase dormindo... as palavras e os pensamentos fluem em um ritmo diferente, infelizmente ainda não aprendi a explorar esses momentos de lucidez ou de insanidade, o que você achar melhor...

No final das contas, o ka é uma roda. "O destino luta para refazer o padrão do que estava determinado." Não há fuga, nunca houve. Eu estava certa sobre tudo isso. Bom, é melhor saber? Isso muda alguma coisa? A ignorância é uma benção? O saber te traz vantagens ou agonia? Não corra, não ande, não adianta. Existem certos padrões, eles são rigídos, podendo até - sob determinadas circunstâncias - serem flexíveis mas inquebravéis. Você pode ser acometido pela sorte ou pelo acaso, mas cedo ou tarde, o destino te encontrará. E fará o que estava predestinado, como eu acredito, por Deus. Será que realmente acreditamos que nós fazemos o nosso destino? Se excluirmos o fato que algumas pessoas acreditam em Deus e outras não, à que conclusão chegamos? Se considerarmos que mesmo as pessoas que acreditam em Deus, como eu, também acreditam que Ele nos dá livre arbítrio. Ou seja, eu faço o que eu quiser e lido com as consequências de tudo que faço, assim como qualquer ser humano, mas temos realmente este poder de decisão? Até onde ele vai? Qual a dimensão da nossa ilusão a respeito disso? Partindo da premissa que o Ka é uma roda e o destino sempre luta para refazer o padrão do que estava determinado - se isso for verdade- somos apenas fantoches. Nada mais que isso. Se nascemos com uma "finalidade" definida, não importa o que eu ou qq um faça, essa "finalidade" será alterada? Claro, não há como se saber. Porque afinal de contas, não sabemos o futuro. Se "eu" mudar minha vida, de ponta cabeça, de livre e espontânea vontade alterá-la. Conscientemente. Isso realmente irá alterar meu futuro ou simplesmente seguirei para o mesmo destino?