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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Arthur Schopenhauer (Última parte)

Mais algumas máximas do livro 'A arte de conhecer a si mesmo' do Schopenhauer.

[Todo o céu é da água o caminho,
Toda a terra é do homem nobre pátria.]
Eurípedes

[O sábio aspira não ao prazer mas à ausência de dor.]
Aristóteles

[Parcimônia é uma grande fonte de renda.]
Cícero

[ 'A virtude'... olha com desprezo
a agitação do povo, a bruma da terra.]
Horácio

[Não te afeiçoes demasiado a alguém.
Terás menos alegria e menos dor.]
Martialis

[Dívida alguma é mais fielmente quitada que o desprezo.]
Helvetius

[O pior invejoso deste mundo é aquele que a todos considera como seu igual.]
Goethe

[Se a vantagem do ser humano se confirma no fato de ele - mais do que qualquer animal de outra espécie - ser independente e completo, então decerto a vantagem superior de uma pessoa reside no maior grau com que ela desenvolve em si mesma essas caracsterísticas diante do outro. Uma pessoa, portanto, que em suas visões e ações, em sua formação e produtividade, ou em todos os pontos de contato de sua existência com os seres de sua espécie, de certa forma gravita em torno de si, e que, devido à sua natureza completa, distancia-se da esfera de seus semelhantes num grau, por assim dizer, em que apenas um pequeno ponto de contato, uma tangente entre ela e a espécie humana é formada - tal pessoa pode ser tranquilamente incluída entre as mais excelsas e magnânimas.]
Paul Ferdinand Friedrich Buchholz
Kabinet Berlinischer Karaktere, Berlim, 1808


Arthur Schopenhauer III

Sei que ninguém lê essa bosta mesmo.. mas pelo menos uma vez na vida vou tentar começar, dar continuidade e terminar algo.

Schopenhauer nasceu em Gdansk, Dantzig - Prússia, atual Polônia.

Vou colocar aqui algumas frases, máximas presentes no livro. Estarão disperas e podem parecer um pouco confusas, mas porque fico me explicando? Isso é para mim mesmo....

'Sócrates é quem faz da arte de conhecer a si mesmo o eixo de toda a sabedoria filosófica.'
Johann Wolfgang Goethe

'Filosofia não é apenas conhecimento teórico do ser, mas também sabedoria prática de vida.'

"Conditio sine qua non"

Segundo Schopenhauer, a felicidade do homem ordinário reside na alternância entre trabalho e prazer. "Um homem como eu, sobretudo na juventude, sente-se continuamente como alguém que usa roupas que não lhe servem."

Vê? Ele não era um completo idiota. Só era narcisista.

Isso é meu: Permeada por ataques de insatisfação.

Citação de Chamfort:

"Há uma prudência superior àquela ordinariamente denominada com esse nome, e que consiste em seguir audaciosamente o próprio carátter, aceitando com coragem as desvantagens e os inconvenientes que daí possam surgir. "
[ Il y a une prudence supérieure à celle qu`on qualifie ordinairement de ce nom, ele consiste à suivre hardiment son caractere, en acceptant avec courage les désavantages et les inconvénients qu`il peut produire.]

"As pessoas ficam atentas para que ninguém os considere inferior àquilo que elas mesmas acham de si." (Interessante não?)

Bacon afirma que toda suspeita baseia-se em ignorância. (Aham.. o.o)

Demóstenes tem razão ao dizer: 'muralharas e muros são bons meios de defesa, mas o melhor é a desconfiança.'

Mote de Bias: 'A maioria dos homens é ruim.'

Leopardi: 'A mentira é a alma da vida social.'
[L`impostura è anima della vita sociale.]

"O mundo é uma liga de gatunos contra as pessoas de bem, e de vis contra as pessoas generosas."

Páginas 23 e 24... Achei extremamente interessante:
"...sem ponderar se acaso o tu ao qual se esforça violentamente por agradar, forçando a sua própria natureza, é uma figura fugídia das mais estranhas..."

Cara, isso é para mim. Basta colocar em prática.

"It`s safer trusting fear than faith."
"É mais seguro temer os homens do que confiar neles."

"....inacreditável miséria de sua disposição moral, da enorme limitação de seu entendimento, e do egoísmo sem limites de seu coração, que origina injustiça gritante, inveja e maldade tacanhas, que às vezes chegam às raias da crueldade."

"ecce elongavi fugiens et mansi in solitudine"
[vede, fugi para longe e permaneci na solidão.]

"O melhor liberador da alma é o que, para sempre, rompeu as correntes que oprimiam o coração."
Ovídio

[Optimus ille animi vindex laedentia pectus, vincula qui rupit dedoleitque semel]

Ironia calma.

Com o aumento da intimidade diminui o respeito. Schopenhauer denomina o "matrimônio uma dívida contraída na juventude e paga na velhice."
[Matrimônio=guerra e escassez! Sina do solteiro = paz e abundância.]

(Não necessariamente)

A música me tem sido de grande valia. Uma das minhas bóias, por assim dizer. Já escrevi isso aqui, eu acho. Está se tornando um vício.

Às vezes, sou tomada por uma onda de desespero, uma agonia, um surto de ansiedade que parece simplesmente que serei engolida. É algo incontável, inexplicável. Eu não poderia dizer porque você não entenderia.

Your lips move but i can`t hear what you saying...

Só sei que me sufoca, me devora, me oprime.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Arthur Schopenhauer II

Não tenho como me ater só ao livro, mesmo porque é um livro pequeno, e ele não fala sobre a arte de conhecer a si mesmo, ele simplesmente fala de como ele é melhor que os outros, etc; e também é um livro de e sobre filosofia, o que inevitalmente leva à diversas linhas de raciocínio, minhas obviamente.

Ele também acreditava na retração. A resposta para ele era retrair-se, afastar-se de qualquer convívio com pessoas que ele acreditava serem de capacidade intelectual limitada. Retirar-se, despir-se de todo o ódio e revestir-se de desprezo por toda a raça humana.

Novamente, concordo com a linha de raciocínio mas acredito que ele tenha pecado no excesso, como comentei anteriormente.
Em teoria ele está certo.
Ao não criar expectativas e se distanciar do próximo, o sofrimento advindo da frustração da expectativa não satisfeita deixa de existir.

Mas agindo dessa maneira - não politicamente correta, muito menos, cristã - é possível levar uma vida plena? Eu quero levar uma vida plena e pagar o preço por isso?

Abrimos a mão de certas coisas em detrimento de algumas e favorecimento de outras. Ao se afastar para evitar o sofrimento o que mais se perde? E o quanto isso pode ser primordial ou essencial à vida e ao ser humano?
Mais uma questão indissolúvel?

Coragem - Fé - Mudança de atitude

Será culpa da minha falta de fé? Ausência de confiança no Deus que eu acredito ser capaz de tudo?
O que eu penso? Ele é capaz de fazer tudo, possível e impossível, para todo mundo, menos para mim?
Que tipo de fé e crença são essas?
Não faz sentido nenhum. Nem para mim.

E agora, José?

É como se depois de tudo eu não tivesse justificativa para o meu modo de ser. E isso é um tanto quanto desconcertante.
Mas talvez certas peças depois de encaixadas não assumam outras formas. Depois de esculpidas e moldadas, fiquem, permaneçam assim? Ou sou eu novamente me justificando?
Porque só faço perguntas das quais não sei as respostas? Pior, perguntas que levam à respostas que sequer sei se existem.
Pra que tanto questionamento?
De onde veio e aonde está em mim essa questão de reclamar de tudo? De questionar tudo?
Sou uma reclamona de mão cheia. E sabendo disso, porque não mudo?

Mudando de assunto, ou não, sabe uma coisa que me irrita? Comercial de perfume. Eles mostram um mundo inventado, ilusório, maquiado, utópico e perfeito. Completamente contrário à realidade.
E o pior, faz com que as pessoas - mulheres -, desejem algo inalcansável, inatingível, e, é claro, como não conseguem se sentem profundamente frustradas. Ok, posso contra-argumentar-me. Publicidade. Seria a palavra chave. Etc, etc e etc. Mas acho errado e ponto.

Acho que descrença, escárnio, rebelia, frustração e amargura são os carros de frente da minha vida.
Sempre acho tudo trivial, patético, sem sentido.
Não consigo ser falsa. As coisas não são normais.
É tudo muito estranho.... "Nesses dias tão estranhos, fica a poeira se escondendo pelos cantos..."
As pessoas agem de modo estranho. Elas sabem algo que eu não sei.

Schopenhauer se sentia bem com essas escolhas, com a solidão e a superioridade.
Eu não sei quais exatamente são as minhas escolhas, muito menos estou confortável com elas.
Ele era contra o matrimônio , acreditava que isso viesse a intervir em sua vida intelectual. Eu, sendo casada e com um filho, será que tenho direito a escolhas e questionamentos? Quais são os limites?

Sacrifício - Detrimento

Quais são os princípios que nos regem? E quais deveriam ser os princípios corretos?
Não queria fazer essa patética pergunta, mas, porque estamos aqui? Ou melhor, para que?
Eu sei qual será o desfecho, pelo que diz a Bíblia, mas e até lá?

Arthur Schopenhauer

Comecei a ler Schopenhauer. O ponto de vista dele me parecia interessante. Conhecido como "filósofo do pessimismo". É, eu sei.... Meu filósofo, talvez tenhamos algo em comum. Talvez não.

"A arte de conhecer a si mesmo", chama-se o livro.
(Na verdade, agora que estou postando, já terminei).

"Querer o menos possível e conhecer o máximo possível", foi a máxima de sua vida.

Schopenhauer acreditava que somente um sexto da população pensava ou valia alguma coisa.
Ou seja, o restante da população era boçal, imbecil, egoísta e até mesmo cruel.
E que essa pequena parcela da população, a qual ele se incluía, deveria se isolar o mais que pudesse dos outros seres humanos, chamados 'normais'.

Não sei se ele está certo ou não. Digo, em termos de quantidade. Não acho que seja possível fazer essa distinção tão claramente. Não sei se seria possível quantificar a bestialidade e a ignorância, a crueldade ou o egoísmo. Mesmo porque acredito que todo ser humano tenha um pouco de cada coisa dentro de si, boas e ruins, o que diferencia uma pessoa da outra são as proporções.
Acho que ele estava certo na linha de raciocínio porém ele era radical e narcisista demais e foi nisso que ele pecou.

Realmente existem essas pessoas que conseguem enxergar o mundo com um filtro inimaginável e inalcansável para a maioria das pessoas.
Me considero uma delas, 'outsiders' como minha prima nos chama. Confesso que eu gostaria de ter pensado e criado esse termo antes dela... hauahuaha

O estranho é que chegar a essa conclusão não me basta, não me satisfaz.
"There is a hunger until unsatisfied", como diz uma música do Pink.
Há uma fome ainda não satisfeita. O que fazer com essa visão de mundo?

Acredito que ninguém tenha ainda a resposta pra isso, ou melhor, nos livros existem algumas, mas não são as respostas certas.

O que exatamente eu vejo? Que benefícios isso me traz? A ignorância não seria realmente uma benção?
Casar, trabalhar, ter filhos, morrer. Será essa a linha natural das coisas?
Teria que me satisfazer com o esquema e a ordem das coisas.... então porque sinto que tem algo terrivelmente errado? Comigo, com os outros e com o modo como as coisas funcionam?
Porque eu vejo isso? E mais importante, pra que? Com que finalidade?
Há algo reservado para mim? Isso é um caminho sendo pavimentado? Não seria presunção demais pensar dessa forma ou é esperança, válvula de escape? De que há um motivo para me regojizar e encontrar gozo?

Saber que há algo errado e que eu sou diferente das outras pessoas só tem me trazido problemas.
A própria tentativa... Um sofrimento, uma dor, um desespero que não tem nome nem porque nem forma. Não tem solução, a não ser achar uma forma de fechar os olhos novamente ou achar um significado para estar com eles abertos.

Honestamente, eu não sei. Não faço a mínima idéia. Nem um palpite pra começar. Espero fervorosamente que um dia, o mais breve possível, Deus esclareça essa questão para mim. Preciso de elucidação.

Confesso que fugi um pouco do título do post, mas é que o autor me levou à essa linha de raciocínio.... voltarei a ele no próximo post...